Estorvo

O primeiro romance de Chico Buarque abriu as minhas férias de 2010, e que forma de as começar.

O voo alucinado de um personagem narrador pelas suas memórias vividas ou simplesmente contadas como deveriam ter acontecido. Por vezes existe demasiada fatalidade no presente para que isso não resvale para o futuro. Porque as coincidências resultam de um destino simétrico, repetindo-se se em eco.

A escrita traz um traço poético e onírico que nos faz lembrar a magia de Mia Couto. É uma escrita escorreita que nos oferece uma forma de olhar o mundo que é a do personagem e nós esticamos o pescoço para espreitar através desse olhar.

“Peço pizza de mozarela, mesmo achando que nós dois não combinamos mais com pizza, com essa lanchonete, com esse shopping. Invejo as cabeças que despontam no vão, que sobem curiosas uma atrás da outra na escada rolante, cabeças que esticam o pescoço e vão criando corpo, e criam pés que saltam na sobreloja, e viram pessoas que agitam cabeças que falam, piscam riem e mastigam triângulos de pizza por ali.”

“Por um instante experimento uma espécie d alegria, tendo a sensação de respirar mais ar do que preciso.”

11 de Agosto de 2010
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