O Bom Inverno

Numa escrita de fino recorte literário, por oposição à dos contadores de histórias, João Tordo dá-nos este “O Bom Inverno”.

Um personagem narrador arrasta a sua decrepitude ao longo do livro. Trata-se de um personagem que cultiva “uma indisponibilidade para tudo”, um homem que se confessa ter sucumbido ao “apelo da fraqueza”, embora atraiçoado pelos diálogos que o revelam interessado em defender os seus pontos de vista. Como diz um outro personagem, podemos gostar dele, mas não o invejamos.

Junta-se em Saubadita a um grupo de improváveis companheiros, vivendo todos sobre a sombra omnipresente da ausência de Don Metzeger, um rico e influente produtor cinematográfico. Acabam todos por fazer parte de um ritual sacrificial, cercados e abandonados numa “ilha” da qual não existe fuga possível.

“Só então é que uma lágrima se permitiu descer-me pelo rosto. Uma única lágrima, solitária; uma lágrima sem futuro e sem desejo. Uma lágrima cobarde, que voltara costas às outras lágrimas.”

17 de Outubro de 2010
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Uma resposta a O Bom Inverno

  1. Uma história muito bem contado, muito bem escrita. Julgo que daria um excelente filme.

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