A Desilusão de Judas nas palavras da Cristina Carvalho

CC_AnadeLondresA iluminação, a perseverança da existência desse verme a que se chama “mal” está, sente-se por ali na vida toda, nas ruas do Barreiro, nas travessias do Tejo rumo a locais bem iluminados: a cidade grande. Ainda muito mais assustadora, a cidade que encobre sofisticadamente este forte personagem. A sua vida é de uma banalidade confrangedora. Os amigos, a sua família, onde come, o que bebe, onde descansa, o que compra, o que veste, todo um “ramerrão” escrito e descrito ao pormenor fotográfico. Este retrato, deixa todos os contornos de um subúrbio mental mesquinho e avassalador sob a benta capa das missas e de seus executantes, da catequese do menino, das almoçaradas em dias de folga, dos santos deveres conjugais. Essa vida está tão bem desenhada nesta narrativa de António Ganhão, que todo um horizonte estranho e profundamente vivido, palmilhado, carregado e pesado como uma tempestade que se aproxima, facilmente nos envolve e nos sobe à cabeça.

Um bom e promissor romance desses que nunca chegam às mãos de ninguém, que nunca são lidos nem saboreados nem apreciados devidamente, pois não existem à venda em lado nenhum, nem mesmo nas livrarias. Qual é a editora? Está escrito na capa.

Cristina Carvalho (9-o9-2013 no Facebook)

Nota: O mais recente título da Cristina Carvalho, Ana de Londres, da editora Parsifal, já se encontra nas livrarias.

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