Setúbal Sob a Ditadura Militar

Set03No dia 10 de Maio, em Setúbal, no Quartel do 11, decorreu a apresentação do livro Setúbal Sob a Ditadura Militar, de Albérico Afonso Costa.

O arqueólogo Carlos Tavares da Silva fez uma apresentação exaustiva do livro tendo frisado a componente mono-industrial de Setúbal, centrada na indústria conserveira. O operariado dividia-se entre marítimos e conserveiros. A restante indústria, sem grande expressão, orbitava em torno do universo das conservas. Segundo Carlos Tavares da Silva, após uma militância de intensa luta, o operariado setubalense acabou domesticado pela repressão patronal.

Fernando Rosas, historiador, começou por realçar a importância da história local para um correto entendimento da história nacional. Sobre a realidade setubalense referiu como uma greve dos marítimos ou dos conserveiros conseguia paralisar toda a indústria. A República foi pouco amiga do operariado, tendo esmagado as revoltas que foram surgindo. A última grande greve operária de Setúbal aconteceu a 22, tendo o movimento saído derrotado. Hoje, os historiadores podem afirmar que a derrota sofrida nessa greve marca o declínio da luta operária em Setúbal. Com o fim da Primeira Grande Guerra acaba a procura de conservas para alimentar as tropas, dando origem ao encerramento de muitas unidades conserveiras e forçando a maioria dos operários ao desemprego. Numa situação de refluxo da luta operária surge o golpe de 28 de Maio de 1926. Olhado no início como mais um golpe, foi tolerado tendo as reações de oposição surgido demasiado tarde. A fome e o desemprego são más conselheiras da luta operária.

Isso mesmo referiu Albérico Afonso Costa, que a história nos dá lições que convém estudar para sabermos ler os sinais do tempo. Hoje, face à austeridade e crescente desemprego, também estamos adormecidos, incapazes de nos opormos a este ciclo de miséria que se abate sobre os portugueses.

Setúbal Sob a Ditadura Militar é o resultado de uma investigação bem documentada suportada em fotografias, recortes de jornais e outros documentos, encerrando com um capítulo dedicado à iconografia setubalense. A capa e edição pertencem a José Teófilo Duarte da Editora Estuário.

Na foto, da direita para a esquerda: Albérico Afonso Costa, Carlos Tavares da Silva, Fernando Rosas e José Teófilo Duarte.

Leia aqui uma entrevista do autor ao Das Culturas.

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